O quanto queremos mudar?

27 Novembro 2018 17:07:59

Para ilustrar o que quero dizer neste artigo vou reproduzir o título de uma matéria de um grande jornal de circulação nacional, em edição dos últimos dias: "Especialistas questionam eficiência e custo da educação na gestão Bolsonaro". Cheguei a me surpreender, pensando que o governo do futuro presidente já tinha começado e eu não tinha sido avisado. Claro que não era isso, eram apenas "especialistas" eleitos pelo jornal para criticar (pode-se criticar positiva ou negativamente) as propostas educacionais que fazem parte do Plano de Governo Bolsonaro. O que não me pareceu surpreendente é que todas as críticas foram negativas, o que maculou qualquer possibilidade de equilíbrio ou imparcialidade da reportagem.

Nos mesmos dias em que essa matéria foi publicada, leio nos jornais nacionais e estaduais críticas de setores de produção com relação à integração do Ministério da Indústria ao superministério da Economia que está sendo projetado sob o comando do economista Paulo Guedes. Além de uma estratégia para o ponto nevrálgico da nação nos dias de hoje, é também uma forma de cumprir um dos compromissos de campanha que certamente mais atraíram os eleitores: a diminuição do número de ministérios. 

E no que 57,7 milhões de brasileiros votaram? Exatamente nisso, nas mudanças. Porém, quando essas mudanças são apresentadas, alguns setores de alta influência junto à opinião pública dizem: não, não é isso que nós queremos - certamente na contramão da enorme maioria dos eleitores de Jair Bolsonaro. Não existe sequer a possibilidade desses setores pensarem numa "quarentena" para que o próximo presidente possa fazer o processo de transição. E tem mais: está na hora de a grande imprensa brasileira deixar claras suas posições ideológicas, como na França, Inglaterra e EUA. O que não funciona mais é dizer-se imparcial quando tem posicionamentos escamoteados e evidentes. 

No meio de tantas posições controversas, vou acabar ficando com a soberania e a sensibilidade da nossa mais venerada e talentosa atriz, Fernanda Montenegro, que do alto dos seus 89 anos e do título de primeira latino-americana e única atriz de língua portuguesa já indicada ao Oscar, disse o que a maioria pensa. "Eu não posso falar sobre o futuro. Eu posso falar sobre o presente. Ele [Bolsonaro] não está lá por um milagre. Os brasileiros votaram mais nele do que no outro candidato. A pergunta é: corresponderá este homem a este voto de credibilidade que a maioria deu a ele?", pergunta a protagonista de Central do Brasil. 

E ela mesmo responde: "Eu não quero falar de Bolsonaro, eu quero falar sobre este voto de credibilidade para que todo um atendimento social exista. Que a saúde exista, o saneamento básico, a creche, os empregos existam. [Ele] está chegando ao poder porque existem milhões de desempregados". É para aplaudir de pé!







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