Coluna

Resiliência paladina

Por Wilson Antonio Moreira

Me dediquei fazendo algumas indagações a amigos, pessoas ligadas à educação e à política. Mas me surpreendi; não é só nestes segmentos que as pessoas estão jogando a toalha. Há uma frustração geral dos que querem tentar mudar o mundo. Cansaram da missão de paladinos. Um desânimo os leva a triste conclusão de desistir, pois, nem com um super trado brocador, enfiará nas cabeças duras, as mínimas noções de caráter, virtudes do bem, condutas inteligentes, patrióticas, de ensino básico, trivial para a vida, de moralidade, de aprendizado mínimo das matérias curriculares, de gratidão, de civilidade, de coisas que servirão para não levarem tantos tombos da vida.

Muito pessimista? Comece indagando os professores, sobre a conduta dos jovens nas salas de aulas. Verá o desalento de enrouquecer até as gargantas de ferro. A disciplina, o respeito, o interesse, foram para o balaio dos gatos pardos. Muitos estão se nivelando por baixo igualando-se na mediocridade. Não sei onde essa geração vai quebrar a cara, mas a projeção esfacela as perspectivas anunciando a derrocada. Não estarão preparados para os muitos murros que a vida vai lhes desferir, à queima roupa. Quem não respeita quem os quer ajudar, vai respeitar o que? Vai fazer o que para ganhar a subsistência? Párias das aposentadorias dos pais, dos avôs? Não, não falei da criminalidade, só da falta de respeito e o deboche, com que conduzem tudo. Sabe aquela máxima que: quando a coisa tem que dar errado, inevitavelmente dará?

Salvam-se algumas almas, que ainda, motivam os mestres, eméritos teimosos, em seu verdadeiro sacerdócio. Sempre acho muito paradoxal, que muitos jovens gastem energia, quase nuclear, para as coisas que desviam a atenção dos ensinamentos, arranjando múltiplas desculpas, dificuldades, barreiras, falta de educação, má vontade, mas, tem disposição inoxidável para festas, para o ócio, para as banalidades, para as redes sociais. Já falei sobre isso, já escrevi sobre isso. Mas, tenha certeza, todos os dias alguém estará estarrecido e fazendo as mesmas observações. É de cansar os paladinos que querem mudar o mundo através do ensino e das pessoas.

É mesmo um futuro de terra arrasada. Isso se replica em todos os quadrantes comportamentais: Nas urnas, nas condutas dos candidatos na continuidade refinada, pós-graduada, doutorado dos eternos jeitinhos. Todos os desvios de caráter nascem dos desrespeitos aos primeiros querem moldar um mundo melhor: os professores.

Muitas pessoas já desistiram. Veja bem, desistiram de mudar o mundo, de não serem ouvidos. Não querem mais mover o mínimo esforço. Mas o esses professores camaleões, adaptaram-se às exigências cada vez maiores sobrecarregam, em adicional carga de afazeres, agora sob a desculpa de regime "híbrido" remoto. O tal regime somente faz invadir os espaços da vida privada, do descanso do lazer, comprometendo as suas vidas, dos seus, de suas coisas, ao passo que a adesão pelos alunos é muito pífia. O resultado é, somente, mais esforços e estresses infrutíferos.

Mas, todos os dias esses bravos acordam com uma missão: Não desistir. A missão é tremendamente grande, pois, acreditem muitos lhe aplicam pechas de omissos. Ouvi e vi, até, serem chamados de vagabundos por estarem lecionando remotamente. Engraçado que essa taxação não foi vista para outros segmentos muito privilegiados em folgas, férias, feriados, não só em tempos de pandemia. Afinal, alguém deve levar a culpa por esse país não avançar em valores. Mais fácil transferir nossas responsabilidades, como a de dar educação e respeito, em casa, para os filhos.

A julgar por manifestações que vi e ouvi, esses paladinos continuam valorosos e, agora, muito do que antes, do tipo: "Que voltem logo as aulas, não aguento mais essas crianças!" Tudo veio a provar o valor desses abnegados. E o salário? Ó!





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