Artigo Dr. Márcio A. Guimarães

Tudo junto e misturado: O Brasil, a América do Sul, as relações com as grandes potências

Mas, se posso garantir algo neste mundo cheio de incertezas e novas situações antes imprevistas anos atrás (guerra na Ucrânia ou covid 19) é que estas relações estabelecidas no título deste pequeno ensaio existem, ah e como existem

Tudo junto e misturado mesmo! A já bem famosa expressão, sucedâneo da 'salada de frutas',

normalmente tem a ver com uma visão crítica contra tentativas mais ou menos confusas de

explicar a já bem complexa e confusa realidade política, econômica e social do nosso Brasil. Que

dirá então, para o leitor, linkar essa questão com economia, América do Sul e grandes

potências...?

Já nesse ponto o leitor, com razão, deve estar pensando..."mas que diabos esse sujeito (o

articulista) tá falando, que afinal tem a situação social e econômica brasileira a ver com o

estrangeiro, os gringos?" Que, enfim - poderia com justiça o leitor pensar - tem a situação social

da nossa sociedade que ver com grandes potências ou América do Sul e, além disso, qual a

relação com as eleições brasileiras?

Bem, esse leitor certamente ficaria indignado com a nossa tentativa de responder a estas

questões e com a resposta já antecipada de que, ao final e ao cabo, nenhuma resposta será

suficientemente satisfatória. Ou dito de outro modo, pouco sabemos como explicar isso de

forma pretensamente científica. Mas, se posso garantir algo neste mundo cheio de incertezas e

novas situações antes imprevistas anos atrás (guerra na Ucrânia ou covid 19) é que estas

relações estabelecidas no título deste pequeno ensaio existem, ah e como existem...

Bem, chega de enrolação e conversa fiada kkkk....vamos ao que interessa. Em primeiro lugar,

como bem afirmam Robert Keohane e Joseph Nye, na famosa obra "Poder e Interdependência

Complexa", publicada no começo dos anos 1980, o sistema internacional é caracterizado pela

interdependência complexa entre as nações que o compõe. Além disso, esta interdependência

também é observada cada vez mais, por efeito da globalização, entre as chamadas políticas

externa e interna de um país. Nesse sentido, a integração econômica com a América do Sul e a

redefinição das relações exteriores entre o Brasil e países como Estados Unidos, China e Rússia

tem, de uma forma ou outra, efeitos sobre a política brasileira.

Como isso se dá? Não é tão difícil compreender isso. Basta observarmos que num mundo cada

vez mais conectado pelo vai e vem do capital financeiro que atraímos com nossa política de juros

altos, da dependência das transações comerciais com os países mais desenvolvidos, produtores

de bens altamente industrializados que promove nossos contínuos déficits na balança comercial

por sermos cada vez mais meros produtores e exportadores de bens agrícolas. Dessa forma, a

capacidade do Estado brasileiro, com Bolsonaro ou com Lula, fica cada vez mais comprometido

com escassos recursos e com base tributária insuficiente para poder bombar o orçamento com

recursos que possam ser destinados para obras de infraestrutura, investimentos em educação

e qualificação de mão-de-obra (mercado de trabalho e consumo), saúde, indústria nacional

(geradoras de empregos) e assim por diante.

Portanto, um projeto de desenvolvimento, que por definição, representa crescimento industrial

com redistribuição da riqueza com justiça social, só é possível se forem estabelecidas estratégias

de longo prazo e um projeto de crescimento sustentável que passe pela redefinição de relações

com as grandes nações industrializadas em termos de importar delas menos bens de alto valor

agregado que possam ser eficazmente produzidos em solo nacional e, com isso, fomentar a

circulação produtiva da economia e, com isso, gerar, emprego e renda, os melhores

instrumentos para fazer mais pelo social e pelo povo.

Para tanto, todavia, não basta redefinir as relações com as grandes potências acima elencadas,

mas tornar os gigantescos mercados brasileiro e sul-americanos uma realidade estratégica para

a economia nacional e, além disso, e muito mais importante, redefinir a relação do poder político

que for vitorioso nas eleições com as atuais elites do capital financeiro nacional, promover a

estatização de setores estratégicos para o desenvolvimento nacional como energia e petróleo

e, por fim, mas não menos importante, recriar uma eficiente burguesia nacional comprometida

com o desenvolvimento industrial sustentável e com alta tecnologia. Oxalá a coalizão LulaAlckmin, caso seja vitoriosa, consiga levar adiante este projeto de desenvolvimento nacional,

sob pena de tudo continuar mais do mesmo....






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